Poderosa e mística: irmã de Milei usa tarô para orientar o governo argentino

Karina Milei, braço direito do presidente, mistura cartas, astrologia e consultas espirituais com a estratégia política, enquanto Caputo ganha espaço e o círculo de poder se fecha
O presidente argentino Javier Milei tem recorrido a conselhos que vão além da economia. Segundo a imprensa local, sua irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, introduziu no coração do governo práticas como tarô, astrologia e consultas espirituais para embasar movimentos estratégicos. Reservada e decisiva, Karina é descrita como figura central do Palácio, cuidando do irmão desde a infância e exercendo influência direta sobre agendas e nomeações.
No núcleo duro do poder também está Santiago Caputo, assessor especial conhecido por calibrar decisões a partir do medo de fracasso do presidente. A relação entre Karina e Caputo é marcada por disputa de protagonismo. Na eleição legislativa recente, Karina bancou nomes pouco conhecidos e viu sua aposta render cadeiras, ampliando a base parlamentar, embora sem maioria.
As mudanças anunciadas nesta terça indicam fechamento ainda maior do círculo presidencial. Guillermo Francos deixou a chefia da Casa Civil e foi substituído por Manuel Adorni, porta-voz de perfil confrontador, especialmente com a imprensa. Analistas apontam que a troca sinaliza menos articulação política e mais endurecimento na comunicação.
Para o comentarista Carlos Pagni, o desafio central é estabilizar a economia sem provocar recessão que desgaste Milei. Até aqui, o governo avançou no combate à inflação, ainda elevada, mas a agenda de ajuste segue sensível. Na política externa, a relação com o Brasil permanece tensa, embora a interdependência econômica imponha cooperação prática. A integração do mercado de gás natural é vista como oportunidade para destravar investimentos e reduzir vulnerabilidades.
Enquanto isso, o “triângulo de ferro” formado por Milei, Karina e Caputo redefine rotas e estilos. A combinação de mística, cálculo político e comunicação agressiva dá o tom de uma administração que, em vez de ampliar pontes, prefere consolidar um núcleo de decisão cada vez mais fechado.