Protestos barram leilão de itens do Holocausto na Alemanha

Após críticas de entidades de sobreviventes e de autoridades da Alemanha e da Polônia, casa Felzmann cancela evento previsto para segunda (17) em Neuss
A casa de leilões Felzmann cancelou neste domingo (16) a venda de documentos e objetos ligados a vítimas do Holocausto que ocorreria em Neuss, perto de Düsseldorf, na segunda (17). A suspensão veio depois de forte reação do Comitê Internacional de Auschwitz e de autoridades alemãs e polonesas, que consideraram a iniciativa ofensiva e mercantilista.
Para o vice-presidente executivo do Comitê de Auschwitz, Christoph Heubner, colocar à venda pertences e registros de perseguição nazista é “cínico” e “explora a história dos sobreviventes”. A posição também foi ecoada pelo governo polonês: o chanceler Radoslaw Sikorski disse ter tratado do tema com o homólogo alemão e defendeu que tais documentos sejam destinados a museus e memoriais, não ao comércio.
Após o anúncio do cancelamento, diplomatas da Alemanha e da Polônia celebraram a decisão. A embaixada polonesa em Berlim agradeceu as intervenções que levaram à suspensão, enquanto autoridades na Renânia do Norte-Vestfália foram acionadas para acompanhar o caso.
O catálogo do leilão, intitulado “Sistema de Terror Vol. 2”, reunia itens de 1933 a 1945, como registros de esterilização forçada em Dachau, papéis de empresas arianizadas, passaportes de judeus que fugiram para Chile e Argentina, um formulário de liberação de Mauthausen e cadernos de anotações de um judeu polonês que sobreviveu à guerra. Havia ainda Estrelas de Davi usadas por prisioneiros em Buchenwald, uma braçadeira com o símbolo e peças de propaganda nazista.
Entidades e governos argumentaram que essa documentação integra a memória das vítimas e deve permanecer acessível ao público em instituições de preservação histórica, e não pulverizada entre colecionadores privados.