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Rodrigo Paz é eleito presidente da Bolívia e encerra 20 anos de hegemonia da esquerda

Senador de centro-direita vence Jorge “Tuto” Quiroga no segundo turno e promete liberalizar a economia e reaproximar o país dos Estados Unidos

Foto: Reprodução/Facebook/Rodrigo Paz

A Bolívia viveu neste domingo (19) uma virada histórica. O senador Rodrigo Paz, de 58 anos, foi eleito presidente do país ao vencer o veterano Jorge “Tuto” Quiroga no segundo turno das eleições. Segundo dados preliminares divulgados pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), o candidato do Partido Democrata Cristão (PDC) obteve 54,5% dos votos, contra 45,5% de Quiroga, da Aliança Livre.

O presidente em exercício do TSE, Óscar Hassenteufel, declarou que a “tendência é irreversível”. Com 94,6% das urnas apuradas, os votos válidos consolidam a vitória de Paz em seis dos nove departamentos bolivianos, embora o novo presidente não tenha conseguido superar o adversário em sua base política, Tarija.

A eleição marca o fim de duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS), partido que teve Evo Morales como principal figura. É a primeira vez desde 2005 que um candidato fora do espectro de esquerda conquista o comando do país.

Mudança de rumo político

Rodrigo Paz assumirá o cargo em 9 de novembro, prometendo uma virada liberal na condução econômica da Bolívia. O país enfrenta recessão, inflação alta, escassez de dólares e combustíveis, após anos de queda no investimento em exploração de gás — principal fonte de receita nacional.

O novo presidente defende o que chama de “capitalismo para todos”, com medidas para reduzir gastos públicos, estimando cortes de até US$ 1,5 bilhão. Em seu plano de governo, Paz propõe abrir o país ao investimento estrangeiro, liberalizar o comércio, flexibilizar a exploração de recursos naturais por empresas privadas e aumentar para 50% a participação dos departamentos (equivalente aos estados) no orçamento nacional.

“Queremos construir uma Bolívia moderna, com oportunidades, mas sem deixar ninguém para trás. O importante é que o país volte a confiar em si mesmo”, declarou o presidente eleito, após a confirmação do resultado.

Uma campanha de contrastes

Paz, que nasceu em 1967 durante o exílio da família na Espanha, é filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-1993). Formado em economia e relações internacionais, o novo mandatário já foi deputado, prefeito de Tarija e senador.

Durante a campanha, o agora presidente eleito se apresentou como uma alternativa moderada ao modelo econômico estatizante das últimas décadas. Seu adversário, Quiroga, defendia reformas rápidas e profundas, enquanto Paz apostava em mudanças graduais, prometendo estabilidade e governabilidade.

Parte do sucesso eleitoral também é atribuída ao vice-presidente eleito, Edman Lara, de 40 anos, um ex-capitão da polícia conhecido por denunciar casos de corrupção e se tornar fenômeno nas redes sociais, especialmente no TikTok.

Desafios e o fim da era Evo

Além dos desafios econômicos, Paz enfrentará um cenário político complexo. O MAS, enfraquecido após o rompimento entre Evo Morales e o atual presidente Luis Arce, busca novos líderes. Morales, impedido de concorrer e com mandado de prisão em aberto, mantém influência sobre parte da base popular.

Com a eleição de Rodrigo Paz, a Bolívia gira à direita e inicia um novo capítulo político, encerrando um ciclo de 20 anos marcado pela hegemonia do movimento de Evo Morales e seus sucessores. A expectativa agora é ver se o novo governo conseguirá equilibrar reformas liberais com estabilidade social em um país profundamente dividido.

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