Rússia ameaça bloquear WhatsApp e acusa app de ser usado em “atos terroristas”

Órgão regulador de mídia do país diz que a Meta não cumpre a legislação russa e volta a ameaçar banir o aplicativo, já restringido desde agosto; empresa fala em ataque ao direito à comunicação segura.
O governo da Rússia voltou a mirar o WhatsApp e ameaçou bloquear completamente o aplicativo de mensagens em todo o país. A ofensiva foi feita pelo Roskomnadzor, o Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, que acusa a Meta, dona da plataforma, de descumprir as leis russas.
Em comunicado divulgado nessa sexta-feira (28/11), o órgão afirmou que o WhatsApp vem sendo usado na Rússia para “organizar e realizar atos terroristas, recrutar executores, aplicar golpes e praticar outros crimes”.
“Se o aplicativo de mensagens não cumprir com a legislação russa, será completamente bloqueado”, diz a nota do Roskomnadzor.
A Meta nega ter violado qualquer regra local e acusa o Kremlin de tentar restringir o direito da população a uma comunicação segura.
Bloqueios e restrições anteriores
A ameaça não é um ato isolado. Em agosto, o governo de Vladimir Putin já havia restringido chamadas de áudio e vídeo no WhatsApp e também no Telegram, sob a justificativa de “combater criminosos”.
Segundo as autoridades russas, ligações feitas pelos aplicativos estariam sendo usadas para a prática de golpes, além de supostamente servirem como canal para aliciar cidadãos em “atividades de sabotagem e terrorismo”.
Apesar da pressão, WhatsApp e Telegram seguem entre os aplicativos de mensagens mais populares do país. O Kremlin, porém, desencoraja o uso das duas plataformas e cobra das empresas responsáveis o acesso a dados de usuários para investigações.
Alternativa oficial sob suspeita
Nesse contexto, o governo russo vem estimulando o uso de um novo aplicativo de mensagens, chamado MAX, como alternativa “segura” aos serviços estrangeiros.
Críticos, no entanto, acusam o MAX de fornecer dados de rastreamento de usuários diretamente ao Kremlin, ampliando o controle estatal sobre a comunicação digital e levantando preocupações sobre vigilância e privacidade no país.
A escalada de ameaças contra o WhatsApp se soma a um histórico de medidas de Moscou para controlar plataformas digitais, enquadrar empresas estrangeiras e limitar o acesso da população a canais independentes de informação e comunicação.