Talibã impõe apagão de telecomunicações no Afeganistão

Corte em internet e telefonia móvel afeta mais de 43 milhões de pessoas; medida é vista como repressão à “imoralidade”
O Afeganistão vive nesta terça-feira o segundo dia consecutivo de apagão total nas telecomunicações. O acesso à internet e aos serviços de telefonia móvel foi drasticamente reduzido, afetando mais de 43 milhões de habitantes.
Segundo a organização de monitoramento Netblocks, o tráfego de rede caiu para menos de 1% do nível normal após o corte do serviço de fibra ótica em todo o país. A medida teria sido determinada pelo regime do Talibã, embora não haja confirmação oficial.
Minutos antes da interrupção, um funcionário do governo já havia alertado que a rede seria suspensa por ordem do grupo fundamentalista islâmico, afetando tanto a telefonia quanto a internet, até que nova determinação fosse emitida.
Repressão e “combate à imoralidade”
Desde o início de setembro, autoridades talibãs vêm restringindo gradualmente a conectividade em diversas províncias, sob a justificativa de combater a chamada “imoralidade” online. O líder supremo, Hibatullah Akhundzada, ordenou medidas para limitar conteúdos considerados ofensivos à interpretação rígida da sharia.
No dia 16 de setembro, a província de Balkh anunciou a proibição total da internet por fibra ótica, alegando prevenir “vícios digitais”. Restrições semelhantes foram registradas em Badakhshan, Takhar, Kandahar, Helmand, Nangarhar e Uruzgan.
Primeira paralisação nacional desde 2021
É a primeira vez, desde o retorno do Talibã ao poder em agosto de 2021, que ocorre uma paralisação desse porte em todo o território afegão. Além do bloqueio de telecomunicações, o regime tem endurecido restrições sociais e políticas, como a proibição de mulheres que trabalham para as Nações Unidas de entrarem em escritórios da organização no país.
As autoridades também demonstram preocupação com pornografia online e outros conteúdos considerados contrários à lei islâmica, justificando o apagão como forma de controle moral e social.