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Tarifaço: governo Lula espera nova rodada de negociação com Trump em janeiro de 2026

Andrew Harnik/Getty Images

Após redução parcial da sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, Planalto aguarda resposta dos EUA e projeta solução para o impasse comercial até o fim do primeiro semestre.

O governo brasileiro se prepara para uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos em janeiro de 2026 para tentar encerrar o impasse em torno do chamado tarifaço. A expectativa no Palácio do Planalto é de que, superada essa etapa, haja condições para uma solução definitiva até o fim do primeiro semestre do ano que vem, segundo interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O clima, por enquanto, é de relativa calmaria. A equipe econômica aguarda um retorno oficial da administração do presidente norte-americano Donald Trump nas próximas semanas, para que uma nova agenda de encontros técnicos seja construída.

No dia 14 de novembro, Trump assinou a retirada parcial da sobretaxa que atingia produtos brasileiros com uma taxação de 50%. Apesar do alívio, o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) calcula que 22% das exportações brasileiras para os EUA ainda seguem sob efeito do tarifaço.

O Planalto agora espera um contato da Casa Branca para definir a data da próxima reunião entre negociadores. Uma segunda conversa entre Lula e Trump também está no radar, mas só deve ocorrer depois de avanços concretos nas tratativas entre as equipes técnicas. Os dois presidentes estiveram juntos em outubro, na Malásia, quando foi estabelecida a base para um possível acordo comercial.

Lula mira novos parceiros em 2026

Enquanto tenta reduzir a tensão com Washington, o governo brasileiro também se movimenta para diversificar parcerias comerciais em 2026. A agenda internacional de Lula já tem viagens importantes previstas:

  • Fevereiro – Índia: visita de Estado com encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi. O Brasil tenta ampliar o acesso de produtos nacionais ao mercado indiano e fechar acordos na área de digitalização de serviços públicos, setor em que o país asiático é referência.

  • Abril – Alemanha: participação na Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, a convite do chanceler Friedrich Merz. Lula pretende usar o evento para abrir novos mercados na Europa para o biocombustível brasileiro e reforçar a imagem do país como fornecedor de energia limpa.

  • Junho – França: o presidente pode ser convidado para a reunião do G7, grupo das sete maiores economias do mundo. A confirmação dependerá, segundo auxiliares, do andamento das relações do Brasil com a União Europeia e com os Estados Unidos até lá.

  • Novembro – EUA: reunião do G20, presidida pelos norte-americanos, também deve contar com a presença brasileira.

Otimismo com cautela

Apesar do discurso oficial de confiança, o Planalto atua com otimismo moderado. De um lado, há a expectativa de que o fim do tarifaço renda ganhos econômicos e políticos, num ano de forte exposição internacional. De outro, o governo acelera a busca por novos mercados para não depender excessivamente de uma eventual guinada de humor em Washington.

Um passo considerado decisivo é o acordo Mercosul–União Europeia. A expectativa é de que, no dia 20 de dezembro, Lula assine o tratado, coroando a presidência brasileira à frente do bloco, que se encerra neste mês. A assinatura, contudo, depende da aprovação da proposta no Parlamento Europeu, prevista para ocorrer entre 18 e 19 de dezembro.

Entre negociações com Trump, aproximação com Europa e Índia e a participação em fóruns globais, o governo Lula tenta reposicionar o Brasil no cenário internacional, reduzindo danos do tarifaço e ampliando oportunidades para a economia brasileira em 2026.

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