Tensão no Golfo: navios são alvo de ataques e alerta é emitido no Estreito de Ormuz
Incidentes envolvendo embarcações e movimentações militares elevam preocupação em rota estratégica para o comércio global de energia

Um novo episódio de insegurança marítima acendeu o alerta internacional no Golfo Pérsico. O incidente mais recente ocorreu a cerca de 78 milhas náuticas (aproximadamente 144 quilômetros) ao norte de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. A agência britânica de operações marítimas orientou navios que transitam pela região a redobrarem a atenção e comunicarem qualquer atividade suspeita.
Horas antes, já havia registro de um ataque envolvendo várias embarcações de pequeno porte contra um graneleiro que navegava próximo à costa de Sirik, no sudoeste do Irã, com destino ao norte do Estreito de Ormuz. A ação reforça o clima de instabilidade em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
Mesmo após três semanas do início de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, a região segue sob tensão. As duas nações mantêm um bloqueio seletivo no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa cerca de 20% de toda a energia fóssil comercializada globalmente em períodos de normalidade.
No campo diplomático, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irã estão avançando “muito bem”, e indicou que analisa um plano de paz enviado por Teerã. Apesar disso, o cenário militar segue ativo.
Paralelamente às tratativas, foi anunciado o “Projeto Liberdade”, uma operação de grande escala que prevê o emprego de mais de 100 aeronaves, navios e drones, além de aproximadamente 15 mil militares. A missão tem como foco a escolta de embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz, tentando garantir a segurança da navegação.
Desde o início da ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, já foram registrados 46 incidentes envolvendo navios na região, segundo a agência britânica. Cerca de 20 desses episódios foram classificados como atividades suspeitas com uso de projéteis, ampliando a preocupação com a escalada de conflitos na área.