Trump anuncia suspensão da imigração de “todos os países de 3º mundo” para os EUA

Em texto publicado na Truth Social, presidente diz que quer “deixar o sistema americano se recuperar”, promete rever asilos e green cards aprovados na gestão Biden e cita países como o Brasil entre os atingidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende suspender “permanentemente” a entrada de imigrantes de “todos os países do terceiro mundo” nos EUA. A declaração foi feita na madrugada desta sexta-feira (28/11), em publicação na rede social Truth Social.
Segundo Trump, a medida teria como objetivo “permitir que o sistema americano se recupere completamente”:
“Suspenderei permanentemente a imigração de todos os países do Terceiro Mundo para permitir que o sistema americano se recupere completamente”, escreveu.
O presidente não detalhou quais nações seriam atingidas, mas o termo “países de Terceiro Mundo” costuma ser usado, de forma pejorativa, para se referir a países com economias menos desenvolvidas. Na prática, países como o Brasil são frequentemente incluídos nesse rótulo.
Anúncio após tiroteio perto da Casa Branca
O anúncio veio um dia depois de um tiroteio nos arredores da Casa Branca, que deixou uma militar morta e outra ferida.
O autor dos disparos é um homem afegão, Rahmanullah Lakanwal, que chegou aos EUA em 2021 com um visto especial concedido a afegãos que auxiliaram o governo norte-americano durante a Guerra do Afeganistão, programa criado na gestão do democrata Joe Biden.
Mesmo após o vencimento do visto, Lakanwal permaneceu no país e solicitou asilo em 2024. O pedido foi aprovado em abril de 2025, já durante o governo Trump. Agora, o republicano afirma que pretende rever essas autorizações.
“Cancelarei todos as milhões de admissões ilegais aprovadas por Biden, incluindo aquelas assinadas pelo sistema automatizado do Joe Biden, e deportarei qualquer pessoa que não seja um ativo para os Estados Unidos ou que seja incapaz de amar nosso país”, declarou.
Trump também disse que pretende revogar a cidadania de qualquer imigrante que, segundo ele, “prejudique a tranquilidade interna” e prometeu deportar qualquer estrangeiro que considere “um fardo público ou um risco à segurança”.
“Esses objetivos serão perseguidos com o intuito de reduzir significativamente a população ilegal e disruptiva, incluindo aqueles admitidos por meio de um processo de aprovação automatizado não autorizado e ilegal. Somente a imigração reversa pode resolver completamente essa situação”, escreveu.
Críticas a imigrantes e ataques à política de Biden
No texto, Trump afirmou que os cidadãos americanos teriam permitido que o país fosse “dividido, desestabilizado, fragmentado, assassinado, espancado, assaltado e ridicularizado” por adotarem, segundo ele, “opiniões estúpidas” sobre imigração.
O republicano também alegou que a maioria dos imigrantes que vivem nos EUA veio de “nações falidas” e depende de benefícios sociais.
“Um imigrante que ganha US$ 30 mil com um green card receberá aproximadamente US$ 50 mil em benefícios anuais para sua família. O fardo dos refugiados é a principal causa da disfunção social nos Estados Unidos”, disse.
Revisão de asilos e green cards de 19 países
Paralelamente, a Casa Branca determinou uma revisão ampla de decisões migratórias tomadas durante a gestão de Joe Biden.
Segundo a porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia Mclaughlin, “todos os pedidos de asilo aprovados durante o governo Biden estão sendo reavaliados”, sob o argumento de que a administração anterior não teria feito uma triagem “rigorosa” dos solicitantes.
Ao mesmo tempo, o governo Trump anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, do processamento de pedidos de imigração de cidadãos afegãos.
O Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) também informou que todos os green cards emitidos para cidadãos de 19 países considerados “de preocupação” estão sendo revisados. A lista, definida em proclamação presidencial de junho, inclui:
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Afeganistão
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Birmânia
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Chade
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República do Congo
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Guiné Equatorial
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Eritreia
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Haiti
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Irã
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Líbia
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Somália
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Sudão
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Iêmen
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Burundi
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Cuba
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Laos
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Serra Leoa
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Togo
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Turcomenistão
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Venezuela
As medidas reforçam a guinada do governo Trump em direção a uma política migratória mais restritiva, com foco em revisão de benefícios, endurecimento de critérios e redução da entrada de estrangeiros considerados “de risco” ou “ônus” para o sistema americano.