DESTAQUESINTERNACIONAL

Trump reúne alto escalão de segurança para discutir possível ação militar na Venezuela

Pete Marovich/Getty Images

Reunião no Salão Oval, com principais nomes da área de defesa e diplomacia, ocorre em meio a novo pico de tensão após anúncio de “fechamento” do espaço aéreo venezuelano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu na noite dessa segunda-feira (1) com o alto escalão da segurança nacional para tratar da situação na Venezuela e avaliar a possibilidade de uma operação militar no país vizinho. Até a última atualização, nenhum anúncio oficial foi feito sobre decisões tomadas no encontro.

A reunião aconteceu no Salão Oval da Casa Branca, a partir das 17h, no horário de Washington D.C. (19h em Brasília), e foi confirmada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

“Faz parte de sua responsabilidade garantir a continuidade da paz em todo o mundo”, afirmou a porta-voz, ao ser questionada sobre o tema da reunião.

Leavitt evitou responder se Trump já tomou uma decisão sobre uma eventual intervenção militar na Venezuela.

Além do presidente, participaram do encontro o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o vice-chefe de gabinete, Stephen Miller, segundo a CNN Internacional.

Tensão em novo pico entre EUA e Venezuela

A reunião ocorre em um momento de máxima tensão entre Washington e Caracas. No sábado (29/11), Trump endureceu o discurso contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro e afirmou que o espaço aéreo da Venezuela estava “totalmente fechado”.

“A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela totalmente fechado”, escreveu o republicano na rede Truth.

Os Estados Unidos não têm autoridade jurídica para fechar o espaço aéreo de outro país, mas declarações como essa alimentam especulações sobre um possível ataque e acabam desencorajando companhias aéreas a sobrevoar o território venezuelano.

O governo da Venezuela reagiu com uma nota oficial, classificando a fala como uma “ameaça colonialista”.

“A República Bolivariana da Venezuela repudia veementemente a mensagem pública divulgada hoje nas redes sociais pelo presidente dos Estados Unidos, na qual ele tenta aplicar extraterritorialmente a jurisdição ilegítima dos Estados Unidos na Venezuela, ao tentar, sem precedentes, emitir ordens e ameaçar a soberania do espaço aéreo nacional, a integridade territorial, a segurança aeronáutica e a plena soberania do Estado venezuelano”, diz o comunicado.

Na quinta-feira (27), Trump já havia declarado que ataques por terra na Venezuela poderiam ocorrer em um futuro próximo, dentro da campanha dos EUA contra o tráfico de drogas na região.

Contestado por parte da comunidade internacional, Maduro e integrantes do alto escalão do regime chavista vêm sendo alvo recorrente de ameaças e sanções de Washington. Em julho deste ano, o presidente venezuelano foi apontado pela administração Trump como chefe do cartel de Los Soles, grupo classificado pelos EUA como organização terrorista internacional. A decisão também atingiu outros grupos e abriu brechas para operações militares norte-americanas em diferentes países sob o argumento de combate ao “narcoterrorismo”.

Com a diplomacia em segundo plano e o tom cada vez mais beligerante, a reunião emergencial no Salão Oval é vista como mais um capítulo da escalada de pressão dos EUA sobre o regime de Maduro.

Deixe um comentário