Veja como é a unidade onde Anderson Torres cumprirá pena na “Papudinha”

Ex-ministro de Bolsonaro, condenado a 24 anos por participação em trama golpista, ficará em área especial dentro do Complexo da Papuda, com quarto, cozinha, área externa e estrutura de saúde.
Condenado a 24 anos de prisão por participação na trama golpista, o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL), Anderson Torres, vai cumprir a pena na chamada “Papudinha”, área especial localizada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Conhecida informalmente como Papudinha, a unidade é o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), instalado na área do presídio. O espaço onde Torres ficará tem 54,76 m² de área coberta, com quarto, banheiro, lavanderia, cozinha, sala e ainda uma área externa de 10,07 m².
Apesar de ter capacidade para abrigar até quatro pessoas, o local será ocupado apenas por Anderson Torres e funcionará como Sala de Estado-Maior. A estrutura conta com geladeira, chuveiro com água quente, armários, cama de casal e televisão. São servidas cinco refeições por dia: café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia.
O banho de sol será realizado na área externa da própria cela, onde o ex-ministro poderá fazer exercícios físicos com privacidade e sem controle rígido de horário. Além disso, ele terá à disposição um posto de saúde com equipe multiprofissional, incluindo médicos clínicos, enfermeiros, dentistas, assistente social, psicólogos, fisioterapeuta, técnicos de enfermagem, psiquiatra e farmacêutico.
Condenação no STF
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Anderson Torres a 24 anos de prisão pelos crimes ligados à tentativa de golpe de Estado. Do total da pena, 21 anos e 6 meses são de reclusão, e 2 anos e 6 meses de detenção.
Ele foi acusado de usar o cargo de ministro da Justiça para “desvirtuar” a realidade das eleições presidenciais de 2022. Segundo o relator, ministro Alexandre de Moraes, em 30 de outubro daquele ano o Ministério da Justiça, sob comando de Torres, articulou uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para impedir ou dificultar a chegada de eleitores às urnas.
A condenação também levou em conta a atuação (e omissão) de Torres durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Naquele momento, ele ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e deixou o país dois dias antes dos ataques, mesmo após alertas de inteligência sobre o risco de invasão às sedes dos Três Poderes.