Maduro diz que 82% dos venezuelanos estão dispostos a lutar contra os EUA

Em cerimônia pelos 105 anos da Aviação Militar Bolivariana, líder chavista afirma que população apoia “esforços de paz”, mas estaria pronta para defender o país com armas diante de ameaças dos Estados Unidos.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que 82% dos venezuelanos estariam dispostos a defender o país com armas na mão em caso de um eventual ataque dos Estados Unidos. A declaração foi feita nessa quinta-feira (27), durante a celebração do 105º aniversário da Aviação Militar Bolivariana.
Segundo Maduro, pesquisas internas indicariam amplo apoio às atuais ações do governo:
“Mais de 94% apoiam os esforços de paz em curso, números gigantescos nunca vistos antes. 82% dos venezuelanos dizem estar dispostos a defender sua pátria sagrada com as armas em suas mãos. Esse número das pesquisas não é uma estatística; para nós, é um mandato histórico para defender a pátria e garantir a vitória. Sempre a vitória da independência e da paz”, declarou.
As falas ocorrem em meio à escalada de tensões entre Caracas e Washington. Nos últimos meses, a América Latina se tornou alvo de uma ofensiva militar dos EUA, sob a justificativa de combate ao narcotráfico.
De acordo com o governo norte-americano, os bombardeios realizados no Caribe e no Oceano Pacífico teriam como alvo embarcações ligadas ao tráfico internacional de drogas. Até o momento, ao menos 22 barcos já foram atacados por forças norte-americanas, sem que tenham sido apresentadas provas públicas robustas da ligação direta dessas embarcações com cartéis.
Durante o discurso, Maduro criticou duramente a postura dos Estados Unidos e disse que o país vem sendo ameaçado de forma contínua:
“Há 17 semanas, forças estrangeiras imperialistas ameaçam continuamente alterar a paz do Mar Caribe, da América do Sul e da Venezuela, sob argumentos falsos e extravagantes que ninguém acredita, nem na opinião pública estadunidense, nem na opinião pública mundial, e menos na poderosa opinião pública venezuelana”, afirmou.
O líder chavista também acusou o presidente norte-americano Donald Trump de prejudicar a paz no Caribe e de usar o discurso antidrogas como pretexto para aumentar a presença militar dos EUA na região, reforçando a narrativa de defesa da soberania venezuelana diante de supostas “ameaças imperialistas”.