“Não vou cruzar os braços”, diz Fachin sobre caso Toffoli e Banco Master
Presidente do STF afirma que Corte agirá com independência se for provocada a analisar conduta do ministro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, adotou um tom firme ao comentar os questionamentos envolvendo o ministro Dias Toffoli e sua atuação como relator do caso Banco Master. Em entrevista ao jornal O Globo, Fachin assegurou que a Corte atuará com independência caso seja chamada a se manifestar sobre a conduta do magistrado.
“Como presidente do tribunal, não posso antecipar juízo sobre circunstâncias que eventualmente serão apreciadas pelo colegiado. Parte do que foi mencionado envolve atos não jurisdicionais. Mas uma coisa é certa: quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer”, afirmou Fachin, ao ser questionado sobre a permanência de Toffoli na relatoria do caso.
O presidente do STF também comentou as reações negativas à nota divulgada em defesa do ministro e da própria Corte. Segundo Fachin, o posicionamento buscou esclarecer a regularidade da atuação jurisdicional durante o recesso. Ele ressaltou que o relator foi designado por sorteio e optou por continuar trabalhando. “Nada está imune à crítica, nem o Supremo, nem qualquer um de seus ministros. As interpretações da nota são legítimas, sejam elas quais forem”, disse.
Dias Toffoli tem sido alvo de críticas e pedidos de suspeição em razão de supostas ligações familiares com o entorno do Banco Master. A controvérsia envolve uma transação comercial na qual dois irmãos do ministro teriam sido sócios de um resort no Paraná, posteriormente vendido a um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira.
Embora tenha evitado antecipar qualquer julgamento sobre o caso, que pode vir a ser analisado pelo colegiado do STF, Fachin destacou que a presidência da Corte acompanha atentamente os desdobramentos da situação.