Após juiz proibir albergue, moradores planejaram festa com churrasco
Juiz suspendeu instalação de casa social para pessoas em situação de rua; comunidade comemorou em grupos de mensagens a liminar que vetou funcionamento do espaço.
A decisão do juiz Carlos Frederico Maroja Medeiros, da Vara do Meio Ambiente, de suspender a instalação de um albergue social em Vicente Pires gerou comemorações entre moradores da região. Em grupos de WhatsApp, integrantes chegaram a planejar um churrasco para celebrar a liminar, que apontou risco à segurança da comunidade caso o serviço fosse instalado.


Mensagens compartilhadas no grupo “Casa Social em Vicente Pires não” mostram moradores organizando contribuições para alimentos e bebidas. A proposta inicial era realizar um churrasco em frente ao imóvel, mas, por questões logísticas, a ideia foi substituída por um lanche coletivo. Entre os participantes das conversas estava Ricardo Castro, dono do perfil “Taguatinga da Deprê”, acusado de aporofobia e que se identifica como representante da OAB-DF.
Apesar das mensagens, alguns integrantes do grupo negaram que a festa tenha ocorrido. Já a Associação dos Moradores do Setor Habitacional Vicente Pires (Amovipe) afirmou que não compactua com comemorações e que defende apenas a realização de manifestações contrárias ao abrigo.
A liminar
Na decisão, datada de 21 de agosto, o magistrado destacou que acolher pessoas em situação de rua em uma casa social sem alvará poderia representar risco à segurança e ao bem-estar dos usuários e da vizinhança. O argumento, no entanto, foi considerado contraditório pelo próprio juiz, que reconheceu a informalidade histórica das construções em Vicente Pires.
O Ministério Público do DF havia pedido a abertura imediata do espaço para atender famílias com crianças e adolescentes. Já a Defensoria Pública apresentou documentos comprovando o licenciamento e criticou a associação de moradores, apontando tentativa de excluir pessoas em vulnerabilidade da região.
Debate social
A Defensoria ressaltou ainda que Vicente Pires, por décadas, foi uma área irregular e só recentemente passou por regularização. “O sonho do oprimido é ser o opressor”, afirmou em parecer, classificando as manifestações contrárias ao abrigo como um reflexo de preconceito contra pessoas em situação de rua.
Em resposta, a Secretaria de Desenvolvimento Social do DF informou que discutiu ajustes com a comunidade e que o local passará a acolher especificamente mulheres e crianças. A Amovipe, por sua vez, afirmou repudiar qualquer acusação de aporofobia e declarou que apoia projetos de reinserção social, mas defende que o imóvel escolhido não atende requisitos técnicos mínimos de segurança e acessibilidade.
Com informações do Portal Metrópoles
