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Bolsonaro diz a familiares que teme ser envenenado na prisão

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Ex-presidente tem evitado refeições da PF e pediu que parentes levem comida à carceragem em Brasília, por medo de ser alvo de atentado

O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou a familiares e interlocutores próximos que teme ser envenenado enquanto estiver preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. Segundo relatos, esse temor é o principal motivo para que ele insista em receber apenas alimentos preparados por pessoas de confiança, e não as refeições servidas pela corporação.

Bolsonaro, que cumpre pena em regime fechado após condenação pela trama golpista, disse acreditar que o que chama de “sistema” não deseja mantê-lo apenas atrás das grades, mas “eliminá-lo fisicamente”. Como argumento, voltou a citar a facada sofrida em 2018, durante a campanha eleitoral, e o fato de a PF ter concluído que o agressor, Adélio Bispo, agiu sozinho.

Em conversas recentes, o ex-presidente teria reiterado a versão de que Adélio não atuou sem apoio. Para ele, o autor do ataque teria recebido suporte de pessoas ligadas a esse “sistema” que, segundo Bolsonaro, continuaria agindo contra sua vida.

Na terça 25, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que uma pessoa previamente cadastrada pela defesa possa levar refeições ao ex-presidente na carceragem da PF, em horário a ser definido pela própria instituição. Os alimentos entregues deverão ser fiscalizados e registrados pelos policiais antes de chegarem até Bolsonaro.

Resistência em apontar um sucessor político

Mesmo preso, Jair Bolsonaro tem resistido a indicar um nome do campo conservador para disputar a Presidência da República na eleição do ano que vem. Segundo aliados, o ex-mandatário avalia que, ao oficializar um sucessor, corre o risco de perder espaço e influência dentro da própria base, o que poderia dificultar eventuais movimentos para rever sua situação jurídica no futuro.

Lideranças do Centrão, porém, pressionam por uma definição ainda este ano, com o argumento de que o eventual candidato precisará de tempo para construir uma pré-campanha robusta e se viabilizar eleitoralmente diante do presidente Lula, que aparece como favorito em pesquisas recentes.

Enquanto isso, a estratégia de Bolsonaro, mesmo de dentro da cela, tem sido manter sua centralidade no debate político, influenciando decisões, discursos e articulações da direita e de partidos aliados em Brasília.

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