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Bolsonaro diz em audiência de custódia que “não houve irregularidade” na própria prisão

Hugo Barreto/Metrópoles

Em videoconferência conduzida por juíza auxiliar de Alexandre de Moraes, ex-presidente afirmou que não sofreu abusos na operação da PF, detalhou quadro de saúde e uso de medicamentos.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou, em audiência de custódia realizada nessa quarta-feira (26/11), que não houve “abuso” nem “irregularidade” na sua prisão para cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses pela trama golpista.

A audiência ocorreu às 14h15, por videoconferência, e foi conduzida pela juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, Flávia Martins de Carvalho.

Questionado sobre o modo como a prisão foi executada, Bolsonaro afirmou que a Polícia Federal atuou dentro da legalidade:

Segundo a ata da audiência, o ex-presidente declarou que “não houve qualquer abuso ou irregularidade por parte das autoridades policiais responsáveis pelo cumprimento do indigitado Mandado de Prisão, expedido nos autos da AP 2.668”, e informou ter se submetido a exame de corpo de delito. Ele também confirmou que a prisão foi realizada em 25/11/2025, na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal, onde já se encontrava preso preventivamente.

Bolsonaro relata doenças e uso de remédios

Durante a audiência, Bolsonaro reforçou seu quadro de saúde e listou doenças e necessidades médicas. De acordo com o registro da sessão, ele informou:

  • diagnóstico de refluxo;

  • diagnóstico de apneia do sono;

  • necessidade de alimentação especializada;

  • existência de laudos médicos juntados aos autos;

  • uso de cinco medicamentos de forma contínua.

STF mantém prisões de Bolsonaro e de aliados

Além de Bolsonaro, outros cinco réus que começaram a cumprir pena na terça-feira (25/11) também passaram por audiência de custódia.

Após o procedimento, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão do ex-presidente e dos demais condenados:

  • Anderson Torres;

  • almirante Almir Garnier;

  • general Paulo Sérgio Nogueira;

  • general Augusto Heleno;

  • general Braga Netto.

As sessões foram realizadas por videoconferência. A pena de Bolsonaro, cumprida inicialmente na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, é de 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, resultado de condenação pelos crimes de:

  • organização criminosa armada;

  • tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito;

  • golpe de Estado;

  • dano qualificado pela violência;

  • grave ameaça contra patrimônio da União;

  • deterioração de patrimônio tombado.

Trânsito em julgado e histórico recente

Na terça-feira, o STF declarou o trânsito em julgado da condenação de Jair Bolsonaro e de outros réus do núcleo 1 da trama golpista — ou seja, não há mais possibilidade de recurso. O Supremo também determinou que o ex-presidente cumpra a prisão na mesma unidade onde já estava sob custódia.

Antes disso, Bolsonaro havia ficado em prisão domiciliar até 22 de novembro, em razão de outro processo, no qual é acusado de coação contra a Justiça. Naquele sábado (22), o ministro Alexandre de Moraes converteu a medida em prisão preventiva, a pedido da PF, alegando risco de fuga.

Segundo a decisão, Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica e afirmou que, por “curiosidade”, utilizou um ferro de solda no equipamento, episódio que pesou na avaliação sobre o descumprimento das condições impostas pela Justiça.

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