Bolsonaro teria “forçado” prisão para se vitimizar, avalia ala do governo

Aliados de Lula veem estratégia de antecipar decisão do STF para aproveitar atenção internacional
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria “forçado” sua própria prisão domiciliar, decretada nesta segunda-feira (4) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo interlocutores do Planalto, a intenção de Bolsonaro seria reforçar uma imagem de vítima diante do STF, aproveitando o momento de forte atenção internacional após as recentes ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Brasil.
De acordo com essa ala do governo, Bolsonaro já havia sido alertado por Moraes de que novos descumprimentos das medidas cautelares não seriam tolerados, especialmente após episódios em que seus discursos foram replicados em redes de aliados. Mesmo assim, no domingo (3), Bolsonaro participou de manifestações por vídeo, e o conteúdo foi imediatamente compartilhado nas redes de seus apoiadores, incluindo a do filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Para assessores de Lula, Bolsonaro buscou antecipar a decisão de Moraes e transformar a prisão em um ato de mobilização, logo após uma manifestação popular e antes do encerramento do inquérito do golpe. O movimento acontece justamente quando Trump, ao anunciar o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, afirmou que há uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro no Brasil, acirrando o embate político entre Brasil e EUA.
O clima entre bolsonaristas é de tentativa de condicionar a suspensão das tarifas norte-americanas à anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e à derrubada dos processos contra o ex-presidente. Além da taxação, Trump também anunciou sanções individuais ao ministro Alexandre de Moraes, por meio da Lei Magnitsky, que prevê bloqueio de bens e proibição de entrada nos EUA.
Novas restrições a Bolsonaro
Com a prisão domiciliar, Bolsonaro está proibido de receber visitas (exceto advogados ou pessoas previamente autorizadas pelo STF), de usar celular direta ou indiretamente, de manter contato com embaixadores e autoridades estrangeiras e de acessar redes sociais de qualquer forma. O ex-presidente também não pode tirar fotos ou gravar imagens durante as visitas.