DESTAQUESBRASIL

Collor é o terceiro ex-presidente preso desde redemocratização

Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo/Arquivo

Ex-presidente foi preso após rejeição de recursos, e agora se junta a Temer e Lula no histórico de prisões de ex-presidentes brasileiros

Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República, foi preso na madrugada desta sexta-feira (25), em Maceió (AL), após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitar os últimos recursos apresentados pela defesa. A prisão de Collor ocorre após sua condenação a 8 anos e 10 meses de prisão, em um processo relacionado à Operação Lava Jato, pelo envolvimento em corrupção e lavagem de dinheiro.

Collor se torna o terceiro ex-presidente do Brasil a ser preso desde a redemocratização, o que faz com que ele se junte a Michel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva no histórico de ex-presidentes que enfrentaram o sistema judiciário em diferentes circunstâncias.

Prisão de Collor

Collor foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tendo sido acusado de receber R$ 20 milhões em propinas relacionadas a contratos da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, com a empresa UTC Engenharia. A propina seria destinada a viabilizar negócios relacionados à construção de bases de distribuição de combustíveis. Após a decisão de Moraes, a defesa do ex-presidente alegou que ele se dirigia espontaneamente para cumprir a ordem de prisão.

Prisão de Temer

Michel Temer, o segundo ex-presidente a ser preso, teve sua prisão preventiva decretada em 2019, no âmbito da Operação Lava Jato. A prisão de Temer foi fundamentada nas delações do empresário José Antunes Sobrinho, que afirmou ter pago propina para a realização de contratos envolvendo a usina nuclear de Angra 3. A prisão preventiva durou seis dias e foi posteriormente revogada. Temer foi alvo de diversos inquéritos, sendo que alguns foram remetidos à primeira instância após o fim de seu mandato presidencial.

Foto: Reprodução/TV Globo

Prisão de Lula

Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro ex-presidente a ser preso desde a redemocratização, cumpriu pena de 12 anos e 1 mês de prisão, devido à sua condenação em 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, relacionada ao caso do triplex em Guarujá. Lula foi preso em 7 de abril de 2018, mas sua defesa sempre negou as acusações, alegando que a condenação foi politicamente motivada. Em 2021, o STF anulou as condenações de Lula, permitindo sua candidatura nas eleições de 2022.

Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo

Prisão de ex-presidentes no contexto histórico

A prisão de Collor se insere em um contexto histórico mais amplo, no qual outros ex-presidentes enfrentaram prisões, mas por motivações políticas. Hermes da Fonseca, presidente de 1910 a 1914, foi preso em 1922 após se opor a uma intervenção federal. Washington Luís, o único ex-presidente a ser preso durante o mandato, foi detido após o golpe que levou Getúlio Vargas ao poder, em 1930. Artur Bernardes, ex-presidente entre 1922 e 1926, também foi preso após apoiar a Revolução Constitucionalista de 1932, sendo posteriormente exilado.

Juscelino Kubitschek, presidente de 1956 a 1961, foi preso em 1968, um ano após ter sido exilado devido ao golpe militar, e ficou detido por nove dias durante o regime militar.

A prisão de Fernando Collor, juntamente com a de Michel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva, marca um momento significativo na política brasileira, com ex-presidentes sendo processados por corrupção e outras irregularidades. As diferenças nas motivações e circunstâncias de cada caso demonstram as complexidades do sistema judiciário brasileiro e a forma como ele lida com figuras políticas de alto escalão.

Deixe um comentário