Em conversa com Trump, Lula pede revogação de tarifas impostas aos produtos brasileiros

Presidentes do Brasil e dos Estados Unidos conversaram por videoconferência e sinalizaram retomada do diálogo bilateral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por videoconferência, na manhã desta segunda-feira (6), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar das tarifas de 50% aplicadas a produtos brasileiros. Foi o primeiro contato direto entre os líderes desde a implementação do chamado tarifaço, em agosto.
De acordo com o Palácio do Planalto, o diálogo ocorreu em “tom amistoso”. Lula e Trump relembraram o breve encontro que tiveram em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, e destacaram o interesse em reaproximar os dois países.
Pedido de Lula
Segundo nota oficial, Lula solicitou a retirada das tarifas e das sanções aplicadas a autoridades brasileiras. O presidente ressaltou que o Brasil é um dos poucos países do G20 com superávit na balança de bens e serviços com os Estados Unidos.
“O presidente Lula descreveu o contato como uma oportunidade para restaurar as relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”, diz o comunicado.
Durante a conversa, ficou acordado que haverá um encontro presencial “em breve” entre os líderes. Uma das possibilidades é que a reunião ocorra durante a Cúpula da ASEAN, na Malásia, no final de outubro.
Lula também convidou Trump para participar da COP30, a conferência do clima da ONU, que ocorrerá em Belém, em novembro.
Negociações e próximos passos
Para conduzir as tratativas, o presidente brasileiro designou o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Pelo lado norte-americano, o secretário de Estado Marco Rubio foi indicado por Trump para intermediar as negociações.
Contexto do tarifaço
As tarifas de 50% foram impostas pela Casa Branca há dois meses e atingem produtos como café, carnes e castanhas. Além das medidas econômicas, Washington também revogou vistos de autoridades brasileiras, em meio a tensões políticas envolvendo o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Trump.
Em resposta, o governo brasileiro lançou um plano emergencial para mitigar os impactos do tarifaço, incluindo crédito subsidiado e flexibilização tributária para exportadores.