Estudantes de medicina fazem apologia ao estupro durante evento universitário

Alunos da Faculdade Santa Marcelina foram flagrados exibindo uma faixa com referência ao estupro durante o torneio esportivo Intercalo, competição entre calouros de faculdades de medicina. O caso aconteceu no sábado (15), na zona leste de São Paulo, e gerou grande repercussão dentro e fora da instituição.
Na imagem, que circula nas redes sociais, 24 estudantes – sendo 23 homens e uma mulher – seguram uma faixa com a frase “entra porra, escorre sangue”, remetendo a um ato de violência sexual. Segundo o Coletivo Francisca, grupo feminista da instituição, a frase faz parte de um antigo hino universitário, banido em 2017 pelo seu teor violento.
Ao fundo da foto, aparece uma outra faixa da Atlética da Universidade Nove de Julho (Uninove), mas os estudantes identificados na imagem pertencem à Santa Marcelina, incluindo calouros do time de handebol e membros da Atlética da faculdade.
Coletivo feminista pede medidas disciplinares
A repercussão do caso levou o Coletivo Francisca a se manifestar, cobrando medidas disciplinares contra os envolvidos. Em nota enviada à diretoria da Faculdade Santa Marcelina, o grupo exige a destituição do aluno responsável pelo ato, apontando a gravidade da situação.
“Embora saibamos que o órgão da Atlética trate-se de uma instituição independente, cujas eleições e escolhas de cargo sejam autoregradas, é necessário que a Instituição Santa Marcelina faça uma intervenção – caso o próprio órgão não se manifeste. Urge a deposição do aluno em questão do cargo vigente, uma vez que, inconsequentemente, assumiu um papel de representação estudantil esportiva.”
Até o momento, a instituição não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
Apologia ao estupro pode configurar crime
A exibição da faixa pode configurar crime de apologia ao estupro, conforme prevê o artigo 287 do Código Penal, que estabelece pena de três a seis meses de detenção ou multa para quem fizer “apologia de fato criminoso ou de autor de crime”.
Além disso, o estupro é tipificado no artigo 213 do Código Penal, com pena de seis a 10 anos de reclusão, sendo considerado um crime hediondo.
Especialistas alertam que manifestações como essa contribuem para a banalização da violência contra a mulher e reforçam comportamentos misóginos dentro do ambiente acadêmico.
Faculdade ainda não se manifestou sobre o caso
A atitude dos estudantes gerou indignação dentro e fora da comunidade acadêmica. Nas redes sociais, alunos e ex-alunos da Santa Marcelina criticaram a exibição da faixa e cobraram posicionamento da instituição.
O caso segue repercutindo, e a expectativa é que medidas disciplinares possam ser tomadas nos próximos dias.