Fachin busca diálogo com ministros do STF em meio à crise envolvendo Moraes e Mendonça
Presidente da Corte deve conversar com colegas nesta semana para avaliar alternativas diante do acirramento das divergências entre Alexandre de Moraes e André Mendonça

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deverá conversar com ministros da Corte ao longo desta semana para discutir a crise que envolve os integrantes do tribunal Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ainda não está definido se os encontros ocorrerão de forma individual ou em uma reunião conjunta.
Segundo relatos de ministros que já conversaram com Fachin, o presidente do STF gostaria de tomar uma decisão sobre a situação de Moraes. No entanto, tem sido alertado de que qualquer medida dependerá do consenso entre os integrantes da Corte.
Uma das possibilidades levantadas seria um eventual afastamento temporário de Moraes até que as questões envolvendo o caso Master sejam analisadas. Nesse cenário, porém, ministros próximos a Moraes devem cobrar tratamento semelhante em relação a Mendonça, que é o relator do caso.
Moraes acusa Mendonça de parcialidade e de conduzir as investigações com direcionamento contra ele. O ministro também questiona a legalidade de atos praticados durante o inquérito.
Receio de confronto no plenário
Entre os ministros do Supremo, uma das principais preocupações é a possibilidade de Fachin convocar uma reunião do plenário para discutir a crise. O ambiente de tensão entre Moraes e Mendonça poderia provocar um confronto público entre os dois.
A proximidade física dos ministros também é apontada como um fator de preocupação. Por seguirem a ordem de antiguidade no STF, Moraes e Mendonça ocupam cadeiras lado a lado no plenário. Os dois já protagonizaram um episódio de forte tensão que, segundo relatos, por pouco não terminou em agressão física.
Uma alternativa seria levar a discussão para o plenário virtual, modalidade em que os ministros apresentam seus votos eletronicamente, sem a necessidade de um encontro presencial.
Atos de 7 de Setembro
As manifestações realizadas neste 7 de Setembro também eram consideradas um possível fator de pressão sobre o Supremo. Entre ministros, havia expectativa de que uma mobilização expressiva e sem vinculação partidária pudesse demonstrar uma insatisfação mais ampla da população com a Corte.
A avaliação, porém, é de que isso não ocorreu. A direita acabou concentrando o discurso de oposição ao STF, o que, na visão de integrantes da Corte, reduziu o impacto político das manifestações.
O entendimento é que a pressão teria sido diferente caso a insatisfação com o Supremo tivesse aparecido como uma pauta mais ampla do eleitorado, sem associação direta a um determinado campo político.
O que provocou a crise no STF
A crise entre Moraes e Mendonça se agravou após a revelação de informações relacionadas ao caso Master. Mendonça determinou à Polícia Federal que identificasse o interlocutor de Daniel Vorcaro em mensagens encontradas no celular do banqueiro.
A PF concluiu que o interlocutor era Alexandre de Moraes. A partir da descoberta, Moraes passou a questionar a atuação de Mendonça como relator e a forma como as investigações vêm sendo conduzidas.
Nas mensagens analisadas pela investigação, Vorcaro pede a Moraes “proteção” junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
As respostas de Moraes não aparecem no relatório da investigação porque, segundo a apuração, foram enviadas pelo recurso de visualização única, que impede o acesso posterior ao conteúdo da mensagem.
Com informações do Metrópoles
