BRASIL

Foragido do 8 de janeiro morre na Argentina após condenação pelo STF

Adestrador de animais havia sido condenado a mais de 14 anos de prisão e estava fora do Brasil

O adestrador de animais José Éder Lisboa, de 64 anos, condenado pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, morreu nesta sexta-feira (27) na Argentina. A informação foi divulgada pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro.

Natural de São Carlos (SP), Lisboa havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos e seis meses de prisão pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.

De acordo com a associação, ele estava refugiado no país vizinho, onde adoeceu e permaneceu internado por vários dias antes de morrer. A entidade afirmou que Lisboa estava distante da família quando veio a óbito.

O homem chegou a ser preso em flagrante no dia 8 de janeiro de 2023, dentro do Palácio do Planalto, em Brasília. Em depoimento, alegou que entrou no local para se proteger das bombas, negando participação em atos de vandalismo. Ele se tornou réu em maio daquele ano e, em agosto, foi solto mediante medidas cautelares. Após a condenação, deixou o Brasil.

Segundo dados do STF, mais de 800 pessoas já foram condenadas pelos atos de 8 de janeiro, com penas que variam de dois a 27 anos de prisão. Desse total, 122 são consideradas foragidas. Parte delas teria rompido o uso de tornozeleiras eletrônicas e deixado o país.

O caso ocorre em meio a discussões sobre extradição de envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes. A Justiça brasileira já solicitou a extradição de diversos investigados, enquanto autoridades estrangeiras analisam os pedidos. Em alguns casos, há concessão de refúgio, o que tem gerado impasses jurídicos entre os países.

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