DESTAQUESVARIEDADES

‘Francisco asiático’: quem é Luis Tagle, o cardeal filipino entre os principais cotados para ser o novo papa

Foto: Wally Santana/AP

Próximo ao papa Francisco e defensor de uma Igreja voltada aos pobres, cardeal é considerado um dos favoritos para suceder o pontífice argentino

O cardeal Luis Antonio Tagle, das Filipinas, surge como um dos nomes mais fortes entre os cotados para assumir o papado após a morte do papa Francisco. Chamado por muitos de “Francisco asiático“, Tagle compartilha os valores missionários, humildes e populares que marcaram o pontificado de Jorge Mario Bergoglio.

Sua possível eleição representaria a primeira vez que um papa viria do continente asiático, mais precisamente de um dos países com maior número de católicos no mundo: mais de 90 milhões de fiéis nas Filipinas.

Perfil do cardeal

Luis Tagle nasceu em 21 de junho de 1957, na cidade de Imus, próxima à capital Manila, em uma família modesta. Estudou filosofia e teologia nas Filipinas e concluiu um doutorado nos Estados Unidos. Foi ordenado padre em 1982 e nomeado arcebispo de Manila em 2011, uma das dioceses mais influentes da Ásia. Em 2012, foi criado cardeal por Bento XVI.

Tagle também ocupou cargos importantes no Vaticano: foi presidente da Caritas Internacional de 2015 a 2022 e, por nomeação de Francisco, assumiu o comando da Congregação para a Evangelização dos Povos, órgão responsável por expandir o catolicismo em regiões onde a fé ainda é emergente.

Estilo acessível e postura firme

Conhecido pelo carisma e humor simples, Tagle tem estilo pastoral acessível: conversava com fiéis após as missas e já convidou pessoas em situação de rua para jantar em sua casa. Ao mesmo tempo, não hesita em posições firmes contra injustiças.

Durante o governo de Rodrigo Duterte, criticou a violenta guerra contra as drogas nas Filipinas. Em 2017, escreveu: “Não podemos governar a nação matando”.
Em 2019, durante cúpula no Vaticano sobre abusos sexuais, fez um dos discursos mais impactantes, reconhecendo erros da Igreja:

“Nossa incapacidade de responder ao sofrimento das vítimas […] feriu nosso povo profundamente.”

Controvérsias

Apesar do prestígio, Tagle também enfrenta críticas. Foi acusado de não enfrentar adequadamente os casos de abuso sexual na Igreja filipina. Também foi questionado por sua ligação indireta com a contratação de um padre condenado por abuso infantil em missão da Caritas, durante seu período como presidente da organização.

Candidato forte

A casa de apostas britânica William Hill coloca Tagle como o segundo favorito ao papado, atrás apenas do italiano Pietro Parolin, atual ex-secretário de Estado do Vaticano.

Apelidado de “Chito” por amigos, Tagle costuma demonstrar humildade. Em 2018, afirmou em entrevista:

“Se eu fosse Deus, não me escolheria para ser bispo ou cardeal. Mas como não sou Deus, Deus provavelmente vê algo em mim que eu não vejo.”

Deixe um comentário