Governo dos EUA se pronuncia sobre alfinetadas de Lula contra Trump

Diplomacia norte-americana evitou confronto direto após declarações do presidente brasileiro, mas sinalizou interesse em manter laços com o governo Lula
O governo dos Estados Unidos se pronunciou pela primeira vez sobre as recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) direcionadas ao ex-presidente norte-americano Donald Trump. A resposta da diplomacia norte-americana foi neutra, reforçando o compromisso com uma relação produtiva com o Brasil, apesar dos atritos verbais.
Durante um discurso em Minas Gerais, Lula comentou sobre a guerra tarifária imposta por Trump ao Brasil, especialmente sobre o aço e o alumínio. Em tom direto, afirmou: “Não adianta o Trump ficar gritando de lá, porque eu aprendi a não ter medo de cara feia. Fale manso comigo, fale com respeito comigo, que eu aprendi a respeitar as pessoas e quero ser respeitado”.
Em nota enviada ao portal Metrópoles, o Departamento de Estado dos EUA destacou que segue “comprometido com o engajamento produtivo com o governo brasileiro em apoio à agenda America First”, evitando responder diretamente às críticas de Lula.
O Brasil, apesar das provocações, optou por uma postura diplomática e indicou que buscará negociações com Washington, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ainda assim, o Brasil ficou de fora da recente visita do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a países da América Latina.
Tensão paralela: ofensiva contra Moraes
Além da tensão entre Lula e Trump, outro fator tem acirrado as relações entre os dois países: a atuação da oposição brasileira nos EUA. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou que não retornará ao Brasil e está atuando diretamente nos EUA para pressionar autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Investigado por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado em 2022, Eduardo está articulando com aliados do Partido Republicano medidas contra integrantes do governo e da Justiça brasileira — incluindo sanções, como o bloqueio de bens e suspensão de vistos.
Até o momento, não há previsão de encontro entre Trump e Lula, segundo o governo norte-americano.