Maioria das emendas pagas por Lula em 2025 é de anos anteriores

Levantamento mostra que mais da metade dos recursos liberados corresponde a verbas represadas de gestões passadas, aumentando pressão do Congresso sobre o governo
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pagou R$ 16,3 bilhões em emendas parlamentares em 2025. No entanto, a maior parte desse montante (57,7%, equivalente a R$ 9,4 bilhões) corresponde a verbas de anos anteriores que ficaram represadas. Apenas R$ 6,8 bilhões (42,3%) são de emendas previstas no Orçamento deste ano.
Segundo levantamento feito pelo Metrópoles com base nos dados do Siga Brasil, líderes partidários têm cobrado o Executivo pelo atraso nas liberações. Parlamentares afirmam que o atraso na execução compromete obras e investimentos em suas bases, especialmente em um ano pré-eleitoral.
Reclamações no Congresso
A insatisfação atravessa partidos da esquerda à direita, com deputados e senadores relatando que precisam recorrer constantemente a ministros para tentar liberar os recursos. Grande parte das emendas pagas neste ano é referente a 2023 e 2024, os dois primeiros anos do atual governo.
Parlamentares do Centrão têm alertado que a demora pode afetar diretamente a busca pela reeleição, já que o financiamento de obras em estados e municípios aliados é visto como ferramenta estratégica.
Impactos políticos
A falta de celeridade na liberação das emendas foi apontada como um dos fatores que levaram à derrota do governo na escolha da presidência da CPMI do INSS, quando a oposição emplacou o senador Carlos Viana (Podemos-MG) no comando do colegiado. O episódio foi lido como sinal de desgaste da articulação política do Planalto.
Em resposta, o governo reduziu o ritmo de pagamentos nos dias que antecederam a votação, o que aumentou ainda mais a pressão de parlamentares descontentes.