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MC Ryan SP deixa prisão após decisão da Justiça Federal na Operação Narco Fluxo

Funkeiro estava preso desde abril e responderá à investigação em liberdade, com medidas cautelares impostas pelo TRF-3

Foto: Muryel Boian/TV TEM

O funkeiro MC Ryan SP deixou a Penitenciária II de Mirandópolis, no interior de São Paulo, às 14h10 desta quinta-feira (14), após decisão da Justiça Federal que concedeu habeas corpus no âmbito da Operação Narco Fluxo.

O artista estava preso desde 15 de abril e havia sido transferido para a unidade prisional no dia 30 do mesmo mês. A decisão que autorizou a soltura foi assinada pela desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

Além de MC Ryan SP, também foram beneficiados pela decisão o funkeiro MC Poze do Rodo e os influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão.

A Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal, investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. Segundo os investigadores, o grupo teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão utilizando empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas ao exterior.

Na decisão, a magistrada afirmou que a prisão preventiva não poderia ser mantida sem elementos suficientes para o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal. Conforme o despacho, até o momento nenhum dos investigados foi formalmente denunciado, enquanto a Polícia Federal solicitou mais 90 dias para concluir diligências e perícias.

“É incongruente entender que não há provas para a formação da opinio delicti e manter a prisão preventiva”, escreveu a desembargadora ao citar entendimento anterior da 5ª Turma do TRF-3.

O documento também destaca que a prisão cautelar não pode ser utilizada como instrumento para facilitar investigações e que não havia demonstração concreta de que MC Ryan SP pudesse interferir na produção de provas. Segundo a decisão, equipamentos eletrônicos e materiais considerados relevantes para a apuração já haviam sido apreendidos pela Polícia Federal.

Os desembargadores ainda apontaram excesso de prazo na investigação, entendendo que, apesar da complexidade do caso, os prazos previstos no Código de Processo Penal para conclusão do inquérito e apresentação de denúncia não estariam sendo respeitados.

Apesar da soltura, o cantor deverá cumprir medidas cautelares, entre elas comparecimento mensal em juízo, comunicação de eventual mudança de endereço e proibição de deixar o país sem autorização judicial, além da entrega do passaporte, caso possua.

Segundo a Polícia Federal, empresas ligadas ao setor musical e de entretenimento teriam sido usadas para misturar receitas lícitas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. No inquérito, MC Ryan SP é apontado como suposto “beneficiário final” da estrutura investigada.

Operação Narco Fluxo

A Operação Narco Fluxo é resultado de uma investigação iniciada a partir da análise de arquivos armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante a Operação Narco Bet, desdobramento da Operação Narco Vela, ambas realizadas em 2025.

De acordo com a investigação, os arquivos revelaram indícios de uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais, com atuação na captação, internalização, custódia e redistribuição de dinheiro em espécie.

Deflagrada em 15 de abril, a operação cumpriu mandados de prisão temporária, busca e apreensão e bloqueio de bens em oito estados e no Distrito Federal. Ao todo, foram executados 39 mandados de prisão temporária e 45 mandados de busca e apreensão.

Durante a ação, policiais apreenderam veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Também foram encontradas armas e um colar com a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar sobre um mapa do estado de São Paulo.

A investigação segue em andamento, e a Polícia Federal não descarta novas fases da operação.

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