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Traficantes organizam “Feirão do Crack e do Pó” a 1 km da Esplanada dos Ministérios em Brasília

Foto: Reprodução

Nas primeiras horas da última quarta-feira (30), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) lançou uma impressionante operação com o objetivo de desmantelar duas associações criminosas que haviam estabelecido um domínio sobre o tráfico de drogas no centro da capital da República, a apenas cerca de 1 km da emblemática Esplanada dos Ministérios.

A ação foi o resultado de intensas investigações conduzidas pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), que tiveram início em setembro de 2021. Essas investigações identificaram duas organizações criminosas que operavam em colaboração, controlando pontos de venda de cocaína, crack e maconha em áreas estratégicas da cidade, como a Rodoviária do Plano Piloto, um shopping do bairro, o Conic, e o Setor Comercial Sul (SCS), bem como seus arredores.

A operação da PCDF contou com o cumprimento de 70 mandados judiciais, dos quais 36 eram para buscas e apreensões e 34 para prisões temporárias, todos emitidos pela 5ª Vara de Entorpecentes de Brasília.

As investigações revelaram que os grupos criminosos desenvolveram um método altamente eficaz para a distribuição de drogas, tornando difícil a intervenção das forças de segurança. Descobriu-se que os transportadores de drogas recolhiam os entorpecentes nos locais de armazenamento, geralmente em Ceilândia e no Entorno do Distrito Federal, no momento das trocas de turno das forças policiais.

Posteriormente, os responsáveis pela guarda e vigilância dos produtos recebiam as drogas e as escondiam em pontos estratégicos, como a Rodoviária, o shopping, o Conic e o SCS. A partir daí, outros membros das organizações distribuíam as substâncias em pequenas quantidades para os traficantes encarregados de vender aos usuários. Essa rede de venda muitas vezes envolvia dependentes químicos, adolescentes e pessoas em situação de rua.

O pagamento resultante das vendas era repassado aos integrantes das quadrilhas responsáveis por guardar os produtos e o dinheiro, muitos dos quais atuavam como ambulantes, flanelinhas, vigias e até mesmo taxistas na área central de Brasília. Além disso, os grupos criminosos também envolviam motoristas de aplicativos e táxis para transportar tanto as drogas quanto os clientes.

Por meio desse método engenhoso, as associações criminosas conseguiam evitar a prisão de muitos de seus membros. Geralmente, a polícia detinha apenas os suspeitos diretamente envolvidos na venda das drogas, que carregavam quantidades pequenas o suficiente para resultar em acusações por uso e porte de substâncias ilícitas.

A operação da PCDF tinha como alvo todos os elos da cadeia de distribuição das drogas, desde os líderes até os envolvidos no transporte, guarda e venda dos entorpecentes, bem como na gestão do dinheiro obtido de maneira ilícita. Cerca de 275 policiais civis participaram da operação, incluindo equipes da Divisão de Operações Aéreas (DOA), da Divisão de Operações Especiais (DOE) e do Canil.

A ação policial abrangeu uma série de localidades, incluindo Ceilândia, Sol Nascente, Samambaia, Recanto das Emas, Asa Norte, Planaltina, Paranoá, Riacho Fundo, Riacho Fundo 2, Vicente Pires, São Sebastião, além dos pontos estratégicos na área central de Brasília. A operação também se estendeu a cidades vizinhas no estado de Goiás, como Santo Antônio do Descoberto, Luziânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso.

Os integrantes das associações criminosas enfrentarão acusações de tráfico de drogas e associação para o tráfico, podendo ser condenados a penas que variam de oito a 25 anos de prisão. A operação representa um marco significativo no combate ao tráfico de drogas no coração da capital brasileira, demonstrando o comprometimento das autoridades em manter a segurança e a ordem na região.

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