Tribunal do Júri condena réu a mais de 43 anos por duplo homicídio ocorrido em restaurante
Crime registrado em 2021 vitimou duas pessoas, entre elas um policial civil; julgamento ocorreu na Comarca de Rodeio Bonito

O Tribunal do Júri da Comarca de Rodeio Bonito condenou um dos réus acusados de participação em duas mortes a tiros ocorridas em maio de 2021, em um restaurante do município de Jaboticaba, no Norte do Rio Grande do Sul. A pena foi fixada em 43 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado. O réu Rudinei Teles da Silva permanecerá preso e não poderá recorrer em liberdade.
A sessão de julgamento foi realizada no dia 23 de janeiro de 2026, no foro local, com início pela manhã e encerramento por volta das 23h, sob a presidência do Juiz de Direito Roberto de Souza Marques da Silva. O caso foi denunciado pelo Ministério Público, que apontou a participação do réu nos crimes ocorridos no interior de um restaurante da cidade.
Entre as vítimas estava o policial civil Fabiano Ribeiro de Menezes, atingido pelos disparos ao tentar abordar os autores. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.
A condenação soma penas por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio que gerou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de homicídio qualificado para assegurar a impunidade do primeiro crime, com risco a terceiros e contra agente de segurança pública no exercício da função.
Durante a leitura da sentença, o magistrado destacou que os crimes foram cometidos de forma premeditada e articulada, com uso de arma de fogo com numeração suprimida. Também ressaltou o impacto social causado ao pequeno município, os prejuízos materiais ao estabelecimento e o fato de haver crianças no local no momento dos disparos.
O juiz ainda pontuou que o crime teria sido motivado por desavenças e atritos políticos. Em relação ao policial civil, enfatizou as graves consequências familiares, já que a vítima era pai de dois filhos menores, um deles ainda criança, o que resultou em profunda desestruturação familiar.
Conforme a denúncia, os acusados discutiram com a primeira vítima durante a tarde no restaurante. Mais tarde, retornaram ao local, quando um deles efetuou os disparos. O policial foi alvejado em seguida, ao tentar intervir. O Ministério Público também apontou vingança e desavenças políticas ligadas ao pleito eleitoral de 2020 como motivação do crime. O réu condenado neste julgamento teria auxiliado na execução ao providenciar a arma e dificultar a ação do policial, dando tempo para o comparsa agir. Um outro réu já havia sido condenado pelos mesmos crimes em 2022.