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Alexandre de Moraes questiona diagnóstico de Alzheimer de Augusto Heleno

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Ao determinar perícia da PF para comprovar diagnóstico de demência mista, ministro do STF levanta dúvidas sobre laudos apresentados pela defesa e alimenta temor de “guerra de laudos” no caso do general golpista.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de contestar o laudo que aponta demência mista (Alzheimer e vascular) do general golpista Augusto Heleno abriu um novo flanco de tensão: o questionamento, na prática, da própria autoridade médica no diagnóstico de pacientes.

Moraes determinou que peritos da Polícia Federal realizem novos exames para comprovar o quadro clínico apresentado pela defesa do militar. A ordem acende uma série de dúvidas: se os peritos concluírem que Heleno não tem a doença, médicos e advogados poderão ser acusados de prestar informação falsa ao Judiciário? O caso pode se transformar em uma guerra de laudos? E quem se responsabilizaria, afinal, pelo diagnóstico?

O ministro justifica sua decisão com base em contradições sobre a data em que a doença teria sido identificada. Em despacho recente, ele afirmou que não há documentos comprovando sintomas entre 2018 e 2023 — período em que Heleno exerceu o cargo de ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), posto estratégico no governo Jair Bolsonaro. Ainda assim, a medida vai além da dúvida temporal e “exige, inicialmente, a efetiva comprovação do diagnóstico de demência mista”, listando inclusive os exames que devem ser feitos, como análises de sangue, ressonância magnética e tomografia.

O contraste com outros episódios também chama atenção. No caso em que Jair Bolsonaro foi flagrado tentando violar a tornozeleira eletrônica, Moraes não aceitou a versão de que o ex-presidente teria sofrido um surto causado por medicamento. Não há registro de que, naquela ocasião, peritos da Polícia Federal tenham sido convocados para avaliar a justificativa médica que, se acolhida, poderia ter evitado a ida antecipada de Bolsonaro ao regime fechado.

Agora, com a exigência de nova perícia no caso de Heleno, o Supremo entra em terreno delicado, em que decisões judiciais passam a interferir diretamente em laudos, práticas e responsabilidades da classe médica, num contexto já marcado por forte polarização política e intensa judicialização da vida pública.

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