Bebês começam a ‘aprender’ idioma antes de nascer, revela estudo

Um recente estudo liderado por Benedetta Mariani, da Universidade de Pádua, revelou que a conexão entre bebês e o idioma materno inicia-se no útero, proporcionando uma compreensão precoce e distinta da língua que será falada ao longo de suas vidas. Essa pesquisa, realizada de forma não invasiva, envolveu experimentos com recém-nascidos e destaca a fascinante habilidade cognitiva humana de absorver elementos essenciais de um idioma nos primeiros anos de vida.
Os experimentos, detalhados no periódico especializado Science Advances, mostraram que a atividade cerebral de bebês recém-nascidos apresenta diferenças notáveis quando expostos à língua materna em comparação com idiomas estrangeiros. A afinidade pela língua da família começa a se formar ainda no útero, entre a 24ª e a 28ª semana de gestação.
A pesquisa contou com 49 bebês, todos de língua materna francesa, com idades entre 1 e 5 dias. Durante os experimentos, os bebês foram expostos a diferentes idiomas, incluindo francês, espanhol e inglês, enquanto sua atividade cerebral era monitorada por eletroencefalografia.
Os resultados indicaram uma resposta cerebral mais coordenada ao francês, sugerindo que os bebês reconhecem e processam mais eficientemente o idioma ao qual foram expostos durante a gestação. Esse fenômeno destaca a notável capacidade de aprendizado auditivo dos recém-nascidos, que parecem reagir de forma familiar ao idioma materno, indicando uma prontidão intrínseca para absorver informações linguísticas.
Embora essa afinidade pelo idioma materno seja uma característica amplamente observada, este estudo oferece uma compreensão mais profunda do processo cognitivo que ocorre nos primeiros dias de vida. Os resultados podem ter implicações significativas para a compreensão do desenvolvimento da linguagem e da cognição em estágios iniciais da vida.apr