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Bolsonaro recebe alta e inicia prisão domiciliar por 90 dias em Brasília

Ex-presidente deixa hospital após tratamento de pneumonia, seguirá recuperação em casa com restrições e previsão de cirurgia no ombro até o fim de abril

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou o Hospital DF Star, em Brasília, nesta sexta-feira (27) e foi para sua residência no Jardim Botânico, onde iniciará o cumprimento de prisão domiciliar humanitária por 90 dias.

Logo após a alta, em entrevista coletiva, o médico Brasil Caiado informou que o ex-presidente deverá seguir um protocolo de recuperação de quatro semanas e que há previsão de realização de uma cirurgia no ombro direito até o fim de abril.

De acordo com o médico, a recuperação ocorreu conforme o esperado, sem complicações. Bolsonaro já está em transição para o uso de medicação oral em casa.

A decisão de conceder prisão domiciliar foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerando o estado de saúde do ex-presidente, que foi internado no dia 13 de março com pneumonia bacteriana causada por broncoaspiração. Ele deixou a UTI na última terça-feira (24).

Com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), Moraes determinou que Bolsonaro permaneça em casa por três meses para garantir sua recuperação completa. Segundo o ministro, apesar de a unidade prisional conhecida como Papudinha possuir estrutura para atendimentos médicos básicos, o quadro atual exige um ambiente mais controlado, especialmente devido à idade do ex-presidente, de 71 anos. A recuperação total de um quadro de pneumonia nos dois pulmões pode levar entre 45 e 90 dias.

Durante o período de prisão domiciliar, Bolsonaro terá restrições de visitas. Apenas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha Laura e a enteada Letícia poderão ter contato livre. Já os filhos Carlos e Jair Renan deverão seguir horários específicos de visita, às quartas e sábados, em três períodos ao longo do dia.

Advogados poderão se reunir com o ex-presidente diariamente, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que integra sua defesa. A equipe médica terá acesso irrestrito. Demais visitas estão suspensas durante o período de recuperação para evitar riscos de infecção.

A fiscalização da medida ficará a cargo do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro usará tornozeleira eletrônica e estará proibido de utilizar celular, acessar redes sociais ou produzir conteúdos em áudio e vídeo. Além disso, veículos e visitantes serão revistados, e haverá controle sobre funcionários e profissionais de saúde que frequentarem a residência.

Antes da internação, o ex-presidente permaneceu por mais de dois meses detido no 19º Batalhão da PM do DF, conhecido como Papudinha, onde ocupava uma cela de cerca de 65 metros quadrados. Durante esse período, recebeu acompanhamento médico frequente, realizou sessões de fisioterapia e caminhadas supervisionadas.

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