“Horrores”: Cármen lamenta degradação da linguagem em debate político
Ministra criticou uso da palavra como instrumento de agressão em ambiente parlamentar

Durante julgamento na 1ª turma do STF, ministra Cármen Lúcia lamentou a degradação do debate político contemporâneo, especialmente quanto ao uso da linguagem como forma de ataque pessoal entre agentes públicos.
Ao comentar as ofensas proferidas pelo deputado federal José Nelto, contra o deputado federal Gustavo Gayer, a ministra afirmou que a política, historicamente marcada pelo diálogo e pela construção de consensos, tem se distanciado de sua essência.
“A linguagem se tornou realmente um instrumento de agressão para alguns no que é a política, que é a arte da palavra e do convencimento.”
Cármen Lúcia relembrou que o ambiente parlamentar sempre foi concebido como espaço de confronto de ideias – e não de ataques pessoais. Segundo a ministra, mesmo diante de divergências ideológicas, havia respeito entre os interlocutores:
“As pessoas podiam ter ideias e ideologias contrárias, mas chegavam no cafezinho e se falavam sem nenhum tipo de agressão.”
A ministra alertou para o momento em que o debate deixa de ser impessoal e passa a atingir diretamente a pessoa, o que, para ela, representa um ponto de ruptura:
“A impessoalidade vai até um ponto em que você não atinge a própria pessoa.”
Ambiente eleitoral
Cármen Lúcia também demonstrou preocupação com os reflexos desse cenário sobre as novas gerações. Segundo a ministra, a exposição reiterada a discursos agressivos pode influenciar a forma como jovens compreendem e exercem a política:
“Essa juventude vai trabalhar como a ideia de serem políticos, parlamentares, governantes?”
A ministra destacou ainda o contexto eleitoral, apontando que a intensificação de ataques verbais tende a se agravar em períodos de disputa política.
Inteligência artificial
Outro ponto abordado foi o uso de ferramentas tecnológicas para amplificar discursos ofensivos. Cármen Lúcia mencionou a atuação de robôs e o uso de inteligência artificial na disseminação de ataques:
“Esse tipo de xingamento é feito hoje com o uso de tecnologias, de máquinas, da tal da inteligência artificial. Isso nem é inteligência. A inteligência é uma compreensão que se tem de algo, e é incompreensível que se faça isso.”
Para Cármen Lúcia, o fenômeno representa um agravamento da degradação do debate público, ao ampliar o alcance de manifestações agressivas e dificultar a responsabilização.
As informações são do Portal Migalhas
